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CARNAVAL EM PIRENÓPOLIS - Brasil
5/6-O2-2005
Outro carnaval em Pirenópolis. Um amontoado de gente nas ruas congestionadas, sem maiores atrações. Os blocos espontâneos são imprecisos, desorganizados, com uma mesma percussão atravessada e sem animação, ou sem empolgação para quem assiste.
Nas boates dançam rock, axé e reggae...
Durante o dia o que anima são os passeios ecológicos às cachoeiras e trilhas, para um público jovem e aventureiro. Os mais velhos vem para comer e descansar nas pousadas, caminhar e conversar com amigos.
No sábado fomos ver o movimento com o NILDO e o meu caseiro HUMBERTO. Eles tomaram umas cervejas e eu fiquei a observar a gente que deambulava pelo centro da cidade. Nada de fantasias, nada de folias. Bagunça.
NILDO foi para uma discoteca e eu vim dormir. Humberto também.
Durante a manhã do domingo ficamos instalando as calhas nos fundos da casa da chácara Irecê para impedir as s infiltrações nos armários da cozinha. Depois Humberto soldou os perfis metálicos do viveiro de plantas que ameaçavam desabar.
Havia um congestionamento terrível de carros na direção da cidade. Fomos a pé ao tradicional Restaurante da Tia Nenas e, depois do almoço disputado na fila, Humberto tomou um moto-taxi para a rodoviária, para a viagem de regresso à chácara.
Fomos visitar nosso amigo Estanislau e seus cães, que não víamos desde o ano passado. Ele andou pela Amazônia para o relançamento do Projeto Rondon e estava recluído redigindo um relatório.
O pessoal que vive em Pirenópolis evita sair nos dias de festa. O Zé Reis e a família nem veem à cidade nestas oportunidades festivas. O único entusiasmado com o Carnaval é o NILDO, no ardor de sua juventude.
07-02-2004
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Encontrei o Plínio Mosca numa pousada, no seu retiro carnavalesco. Gordo e simpático como são os gordos. Confessou que ia a Brasília par desfilar na Escola de Samba ARUC, que neste ano desfila na Ceilândia, mas que regressaria.
Vi a Eliane Lage, a musa do cinema brasileiro, a grande atriz da Vera Cruz. Está septuagenária mas bonita e delicada como sempre. Fui beijar-lhe a mão. Almoçava no Restaurante Pedreiras com minha amiga Maria Amélia Martins, que é filha da bibliotecária Miriam Martins, pernambucana, agora vivendo em seu refúgio pirenopolitano.
As ruas estavam congestionadas, não havia onde estacionar na cidade. Muito barulho. Decidimos voltar para a Chácara Irecê na tarde da segunda-feira de carnaval.
Pirenópolis está mudando nos últimos tempos. Antigamente era uma cidade interiorana invadida pelos hippies e místicos num choque de cultural e até um número considerável de ricaços vivendo em condomínios, reformando as casas coloniais, os mais pobres da periferia ou construindo mansões.
Nos dias de festas, gente que optou por morar em Pirenópolis — aposentados, em sua maioria — deixa a cidade...
Por certo, não permitem a entrada de ônibus de turistas na cidade, para evitar farofeiros... Mas eles sempre aparecem, ocupando algumas pousadas mais precárias da entrada da cidade. Principalmente jovens, sem dinheiro, que não podem ir para hotéis nem para os campings ficam deambulando pelas ruas, não raro pedindo dinheiro. Fumam maconha livremente.
A rua em que construí a minha casa num bairro que era de pobres — o Alto do Bonfim — está com muitas construções, cada vez mais luxuosas. Até um “loft” foi edificado, para gente sofisticadas e de dinheiro porque os preços eram elevadíssimos. Outros empreendimentos do tipo estão sendo anunciados por toda parte e, com a construção do anel rodoviário, novas áreas estão sendo ocupadas. Como investimento, foi um bom negócio, mas para viver lá, depois de aposentar-me, já não me entusiasma mais...
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